All male…

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Congrats, you have all male panel

Olhando o gabinete do interino (letras minúsculas), lembrei de um capítulo que estudei com meus alunos de História Contemporânea II. Não é a primeira vez que uso, mas foi a última. O capítulo trata sobre a cultura nos anos do entre-guerras. Não se trata de um texto analítico, mas informativo. Coloca os principais acontecimentos e faz umas extensas listas de criadores culturais. Listas por si só podem ser complicadas, no entanto, listas em que apenas figuram homens quando se trata de criação (cultural, tecnológica, política) tendem a ser muito mais problemática.

Pode-se argumentar que quando tal capítulo foi escrito, não havia patrulhas feministas rondando armadas a selvas da internet. Bem, o livro foi publicado nesse século, eu não vejo escusas para um historiador não se dar conta de que na sua lista só há homens.

Mas o fato é que isso está naturalizado. Tão naturalizado que eu mesma só me dei conta esse ano e terei de achar outro texto para colocar no lugar quando repetir a matéria, pelo simples fato de que não, não é mais aceitável que naturalizemos uma cultura primordialmente masculina. Até porque, pasme(!), as mulheres existem, existiram, criam e criaram cultura, não foram somente estrelas de cinema. Não tivemos apenas Virginia Woolf, a única mulher que, ao que parece, alcançou o status de ter de ser obrigatoriamente citada. Mas, com todo o seu brilhantismo, ela foi uma, não a única.

Então, assim como me incomodou o texto, o ministério me incomodou sobremaneira. Uma pena não poder trocá-lo como farei com o texto. Mas, pensando contra mim mesma, perguntei-me se me incomodaria um ministério só de mulheres. Respondi-me que não. Seria uma novidade, uma experiência. No entanto, imagino que isso incomodaria a maioria das pessoas que não viu qualquer problema num ministério de homens brancos e réus na justiça e eu queria perguntar por quê?

Para terminar, uma listinha das mulheres que produziram, especial na literatura e na política, no período entre-guerras. E não, elas não são esquecíveis.

Gertrude Stein https://pt.wikipedia.org/wiki/Gertrude_Stein

Emma Goldman http://jwa.org/womenofvalor/goldman

Rosa de Luxemburgo https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburgo

Anaïs Nin https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana%C3%AFs_Nin

Katherine Mansfield http://www.goodreads.com/author/show/45712.Katherine_Mansfield

Dorothy Parker https://www.poets.org/poetsorg/poet/dorothy-parker

Irene Nemirovsky http://jwa.org/encyclopedia/article/nemirovsky-irene

Alexandra Kollontai https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandra_Kollontai

Edith Wharton http://www.online-literature.com/wharton/

Colette https://en.wikipedia.org/wiki/Colette

Pagu https://pt.wikipedia.org/wiki/Pagu

A lista não se esgota e, olhem, nem falei das artistas plásticas como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Ou das áreas da ciência, etc.

 

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