Só uma memória…

 

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Acabei de ler um texto sobre “amigos imaginários” e lembrei do meu. O post era sobre os “amigos imaginários assustadores”, aquele tipo de texto que aparecia antigamente na Revista Planeta ou num dos artigos da Revista Seleções, e hoje tem lugar em blogs nerds e/ou sensacionalista. Meu amigo não era assustador, mas foi imensamente presente quando eu tinha uns 3 ou 4 anos. Seu nome era Cristiano e ele era meu namorado. Claro, eu também me apresentava como Simone… Mas não julgue uma criança com um nome esquisito que via Selva de Pedra em preto e branco numa TV de tubão que virava chuvisco depois das 11 da noite.

Meus pais se lembram do Cristiano, assim como eu. Ele vinha lá em casa todos os dias, sempre de banho tomado, muito cheiroso, com talco no pescoço. Usava uma camiseta vermelha e branca e um macacão de jeans azul. Era educado e aceitava tudo o que eu impunha. Às vezes, nós dois apenas ficávamos sentados de mãos dadas, no sofá de napa vermelha com manchinhas mais escuras. Minha irmã ia reclamar para a minha mãe que eu não queria brincar com ela, ao que eu respondia: “não posso, estou namorando”. Meu pai se incomodava com o Cristiano. Um dia, ele achou que era hora de mandar meu amigo embora. Abriu a porta e o expulsou segurando pela gola da camiseta. Era noite e estava chovendo. Abri um choro frenético, acompanhada pela solidariedade da minha irmã que (no fundo) também gostava do Cristiano. Só paramos quando meu pai abriu a porta, vencido: “entra… Cristiano”. Foi uma festa! Esmagamos o menino com um abraço.

Um dia, simplesmente, o Cristiano se foi. Acho que ele se mudou. Eu tinha amigos que mudavam de uma casa para outra e sempre me pareceu traumático. Anos mais tarde, já adulta, estava falando no Cristiano e alguém perguntou: “quem é Cristiano?” A resposta veio da boca da minha irmã: “era um amigo imaginário que estava sempre com a Nika”. Fiquei impressionada com a lembrança e com a forma como ela construíra a frase e perguntei: “tu lembras dele?” “Claro”, respondeu a minha irmã. Rimos e ficamos por isso. Afinal, ela lembrava de minha fixação no amigo imaginário e não do amigo imaginário em si, foi o que pensei. Eu mesma não lembro de tê-lo descrito para ela, pois em criança isso não me parecia necessário e, depois de grande, eu praticamente esqueci..

Então, quando meu sobrinho mais velho fez um ano, minha irmã fez um poster do pequeno, que foi exibido na festa. Eu parei na frente e fiquei olhando. Minha irmã e minha mãe chegaram perto e ficamos elogiando o garoto, como a foto estava bonita e tal… Então me ocorreu de perguntar, meio por brincadeira, pois achei que era um acaso, já que não havia como ela saber o que eu guardava tão bem na minha cabeça: “Mana, por que tu vestiste o Ângelo de Cristiano?” “Hã? Eu não… Minha nossa! Eu realmente VESTI o Ângelo de Cristiano!”