Pai

 

A nova paternidade me encanta. Não é tão nova, claro. Nem tão generalizada quanto deveria ser. No entanto, é linda, é orgulhosa e está nas ruas. Tem pai que é mãe? Não. Tem pai que é pai e faz isso magnificamente. Limpa nariz, acalma, leva ao banheiro, troca fralda, dá banho, conversa, percebe que tem sujeira no cantinho do bico da garrafinha, assiste zilhões de desenhos animados, joga bola e desenha trens. Pai que é pai pega o bebê e lhe fala em paternalês, sem nem registrar o quanto parece bobo. Esses pais não são mais aqueles que os filhos viam sair pela porta, são os que, agora, as crianças recebem quando eles entram largando tudo para pegar o filho no colo. Os olhos dos pequenos brilham e há outra luz na frase: “pai, brinca comigo?” quando a resposta é quase invariavelmente sim.

A prova de tudo isso está, em grande parte, mais nos filhos que nas filhas. Está especialmente em meninos, como o meu. Pergunte ao Miguel o que ele vai ser quando crescer e a resposta não será bombeiro, maquinista ou astronauta. “Eu vou ser papai”, ele me disse. Mais difícil foi explicar que somente as meninas podem ter bebês de suas barrigas. Um “pequeno” limite, eu sei. Mas, ele ainda tem bastante tempo para escolher de que forma seus filhos virão.